{"id":143,"date":"2024-09-26T17:39:50","date_gmt":"2024-09-26T20:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/danielbatelli.com.br\/?p=143"},"modified":"2024-09-26T17:55:15","modified_gmt":"2024-09-26T20:55:15","slug":"diferenca-entre-psicanalise-e-psicoterapias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/danielbatelli.com.br\/?p=143","title":{"rendered":"Diferen\u00e7a entre Psican\u00e1lise e Psicoterapias"},"content":{"rendered":"\n<p>Este texto tem por objetivo responder, de bastante breve, \u00e0 pergunta que eu mais recebo: <strong>qual a diferen\u00e7a entre psican\u00e1lise e as outras psicoterapias que procedem pela palavra?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, utilizo dois textos de <strong>Jaques-Alain Miller<\/strong>. O primeiro \u00e9 um cap\u00edtulo presente no livro <strong>Psican\u00e1lise ou Psicoterapia<\/strong>, organizado por <strong>Jorge Forbes<\/strong> e publicado pela <strong>Papirus<\/strong>. O segundo \u00e9 uma confer\u00eancia dada por ele no <strong>3\u00ba Congresso da New Lacanian School of Psychoanalysis<\/strong>, em Londres, em 2005.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Que Psican\u00e1lise e Psicoterapias T\u00eam em Comum?<\/h3>\n\n\n\n<p>Ambas trabalham por meio da fala, reconhecem a exist\u00eancia de uma realidade ps\u00edquica (ou seja, nem todos os problemas do ser humano s\u00e3o de ordem material) e produzem efeitos terap\u00eauticos. Mas, <strong>qual \u00e9 a diferen\u00e7a<\/strong>? Os objetivos e os meios para alcan\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Classifica\u00e7\u00e3o de Miller sobre Psicoterapias<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo Miller, &#8220;o princ\u00edpio da classifica\u00e7\u00e3o de qualquer psicoterapia \u00e9 a incid\u00eancia da palavra do Outro&#8221;. O fator chave \u00e9 a presen\u00e7a de um <strong>Outro<\/strong> que define o que deve ser feito, a quem o sujeito que sofre obedece e do qual espera aprova\u00e7\u00e3o (MILLER, p.12).<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a uma certa padroniza\u00e7\u00e3o do processo anal\u00edtico, especialmente nos <strong>Estados Unidos<\/strong>, surgiu uma \u201cmelhor maneira\u201d de viver, que se torna evidente em psicoterapias que priorizam a identifica\u00e7\u00e3o com o psicoterapeuta. Este, supostamente dotado de um \u201cego forte\u201d, torna-se o modelo ao qual o paciente, de \u201cego fraco\u201d, deve se espelhar. Aqui, a pergunta \u00e9: quem definiu o que seria um \u201cego forte\u201d?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Papel da Psican\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao questionar \u201ctodas as cren\u00e7as, todos os fins, todas as no\u00e7\u00f5es de benef\u00edcios\u201d, a psican\u00e1lise emerge como uma possibilidade. O analista n\u00e3o assume a posi\u00e7\u00e3o de detentor do saber sobre a subjetividade do analisando ou sobre a \u201cmelhor maneira\u201d de viver. O questionamento surge: \u201cPor que meu analista n\u00e3o me fala o que fazer?\u201d. Se o analista atendesse a essa demanda, ele se colocaria como aquele que tem as respostas, limitando o sujeito ao plano da identifica\u00e7\u00e3o com uma \u201cmelhor maneira\u201d, impedindo que o \u201csujeito possa encontrar a quest\u00e3o de seu desejo al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, p.15)\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>O analista n\u00e3o pode prometer felicidade ou harmonia. O que ele pode oferecer \u00e9 \u201celucidar o desejo do sujeito. E ajudar a decifrar o que insiste na exist\u00eancia\u201d (p. 18). A opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica coloca o sujeito diante de seu desejo para que ele mesmo lide eticamente com isso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Que \u00c9 Terap\u00eautico na Psican\u00e1lise?<\/h3>\n\n\n\n<p>&#8220;O que \u00e9 terap\u00eautico na opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 o desejo. Em um certo sentido, o desejo \u00e9 a sa\u00fade. Contra a ang\u00fastia, \u00e9 o rem\u00e9dio mais eficaz. A culpa deve-se, fundamentalmente, a uma ren\u00fancia ao desejo. Mas, paradoxalmente, o desejo \u00e9 aquilo que \u00e9 o contr\u00e1rio a toda homeostase, ao bem-estar. Como \u00e9 compreender uma terapia que n\u00e3o conduz ao bem-estar?&#8221; (p.19)\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a Melhor?<\/h3>\n\n\n\n<p>A pergunta sobre qual \u00e9 a melhor s\u00f3 pode ser respondida pela experi\u00eancia pessoal de cada um.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Que Fazer com Essas Informa\u00e7\u00f5es?<\/h3>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 em an\u00e1lise, continue falando livremente em suas sess\u00f5es. A responsabilidade pelo manejo \u00e9 do seu analista.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 uma brev\u00edssima introdu\u00e7\u00e3o ao tema e n\u00e3o representa uma conclus\u00e3o definitiva. Para quem deseja aprofundar-se, as refer\u00eancias citadas s\u00e3o um excelente ponto de partida.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 logo,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto tem por objetivo responder, de bastante breve, \u00e0 pergunta que eu mais recebo: qual a diferen\u00e7a entre psican\u00e1lise e as outras psicoterapias que procedem pela palavra? Para isso, utilizo dois textos de Jaques-Alain Miller. O primeiro \u00e9 um cap\u00edtulo presente no livro Psican\u00e1lise ou Psicoterapia, organizado por Jorge Forbes e publicado pela Papirus. 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